mércores, 17 de xaneiro de 2018

Problemas Inmortais (4): Dr. OAL

PROBLEMAS IMORTAIS (4) 
Pesquisa biográfica e selecção de trabalhos: Henrique Guerra e Eduardo Valente
Soluções comentadas: Eduardo Valente


Dr. ORLANDO AUGUSTO LOPES


  
Nome: Orlando Augusto Lopes.
Data e Local de Nascimento:  14 de Novembro de 1923 na Chamusca na Região do Ribatejo ao centro de Portugal.
Data e Local de Falecimento: 11 de Dezembro de 2015 em Lisboa [Com 92 anos].
Profissão: Médico, Director do Serviço de hemoterapia do Instituto Português de Oncologia (IPO).
  

Estabelecer um Currículo de um Damista de uma forma clara e objectiva é relativamente fácil, pois basta listar os títulos que o Damista obteve, as publicações que dirigiu ou participou ou os órgãos ou funções que presidiu.
Para o Dr. Orlando Augusto Lopes, tal até já foi feito por Ruaz Ramos no artigo “Retrato de Família 4” seriado de entrevistas a Damistas Portugueses originalmente publicado no Espaço Damista (Separata da Enciclopédia Damista) e que se encontra também acessível na Internet  http://damas.blogs.sapo.pt/2005/05/13/.

Vejamos pois, o Currículo Damista do Dr. Orlando Augusto Lopes que foi publicado por Ruaz Ramos no “Retrato de Família (4)”:


Currículo Damista:

·       1º Campeão de Portugal em Jogo Prático organizado pela Enciclopédia Damista
·       1º Campeão de Portugal em Produções 1973 nas três categorias em competição: Tema Livre, Tema Finta e Finais ou Estudos
·       Vencedor de Torneio de Soluções no Século Ilustrado
·       Vencedor de diversos Campeonatos de Lisboa

Complementamos este capítulo dos Campeonatos de Lisboa ganhos pelo Dr. Orlando Lopes com uma curiosidade:
A vitoria do Dr. Orlando Lopes no VIII Campeonato de Damas de Lisboa, no ano de 1955, teve mesmo honra de ser noticiada a 18-6-1955 no Diário Popular, o Jornal de maior tiragem de Portugal na altura, cuja secção de Damas saía aos sábados e era orientada por Alves Morgado.

Repare-se no detalhe da notícia “ […], jogador e problemista de mérito.

 
Secção de Damas do Diário Popular de 18-6-1955

·       Júri de vários Campeonatos de Produções ou Soluções
·       Director Técnico da Estratégia Damista e da Enciclopédia Damista
·       1º Presidente da Direcção da Federação Portuguesa de Damas
·       Presidente do Conselho Técnico/Arbitragem da Federação Portuguesa de Damas

Podemos complementar que o Dr. Orlando Augusto Lopes foi também:

·       Vencedor do Concurso de Produção da Revista Vida Mundial Ilustrada a 14-9-1944. Pela primeira vez na História das Damas Clássicas um Problema Variável ganha um concurso de Composição Artística!!!

Jogam as Brancas e ganham

Solução: 14-28, 32x23, 2-9, 1x14 (se 1x19, 13-18 e 9x8GB), 13-18 e bifurcação:
                  - se 22x13, e Leque por 9x27x16x7x21x30 GB
- se 14x21, 9x27x16x7 e Bloqueio GB

·       Autor, com o pseudónimo de «Lusíada», do artigo “O Problema Variável e o Final Artístico” publicado em Outubro de 1945, no Nº4 da Revista Estratégia Damista (a melhor publicação de Damas Clássicas editada em Portugal até 1955, cuja Direcção Técnica era composta pelo Capitão Evaristo Borges, Francisco Henriques, Fernando Martins e Orlando Augusto Lopes) onde foi estabelecida definitivamente a designação, hoje muito vulgarizada, de Problema Variável para as Composições com duas ou mais opções de captura das Negras.
Desse artigo transcrevemos agora, o histórico parágrafo em que esta classificação de Problema Variável é definitivamente explicitada:
“[…] Começamos em 1939 o estudo dum tema que, por essa altura, intitulámos «múltipla réplica negra». Desse estudo, que nunca veio a lume, fazia parte o seguinte trabalho publicado em 1940:

Jogam as Br. e ganham

Solução: 11-14, 4 x11, 18-21,     25x18, 31x24 GB
                                                   11x18, 31x2 e 2-5 GB
                                                   5x23 (ou 19), 31-9 GB
                                                   5x28, 31x2 e 2-5 GB

Possivelmente pela primeira vez aparecia uma composição que não era um problema de simples despregagens nem um final de jogo.
Como classificá-la?
Foram surgindo vários títulos : «problema elástico», «problema de hipóteses», que traduziam, de certo modo a verdade. Os técnicos espanhóis chamaram-lhe «final artístico», termo para nós impróprio, como demonstraremos. Final artístico é, na nomenclatura usada na nossa revista, outra espécie de composição.
Finalmente surgiu, de comum acordo entre o autor deste artigo e os restantes membros da Direcção Técnica de «Estratégia Damista», o título definitivo: Problema variável, que já em 1943 havia sido adoptado na secção de Damas do Jornal «Sport Lisboa e Benfica».” – Lusíada.
·       Foi o primeiro Damista a considerar, no artigo “Notas sobre o Problema”, a Simetria como factor de beleza de uma Composição Artística. (in Historia do Problema em Portugal – Tratado da Enciclopédia Damista II-74)
·       Orientador da Secção de Damas da Revista mensal CARTAZ (1946)
·       Orientador da Secção de Damas do quinzenário MATUTO (2ª Série 1951) onde publicou valiosos estudos teóricos de Partidas como a Oitava de Cecina e a Confusa que ainda hoje são a base do estudo dessas Partidas!
·       Orientador da Secção de Damas da Revista mensal A LENTE (1952) onde inicia no mês de Maio de 1952, o Estudo da Partida ESPANHOLA, definindo pela 1ª vez o que é a sua ENCRUZILHADA, terminologia que ainda hoje se usa.
·       Orientador da Secção de Damas da Revista EUREKA (1955) onde em Janeiro de 1955 publica um extenso artigo dedicado à obra de Timoneda.
·       Orientador da Secção de Damas do semanário OFF-SIDE iniciada a 9 de setembro de 1983.
·       Autor da Historia do Problema publicada no 1º Volume do Tratado da Enciclopédia Damista em que define os três períodos fundamentais do Problema em Portugal: 1º Período com inicio em 1925, 2º Período iniciado com Henrique da Cunha em 1933 e o 3º Período com inicio em 1939 até aos dias de hoje.
·       Autor de um trabalho inédito sobre CAVILHAS com 20 problemas diagramados e vários em notação, que foi publicado originalmente na Revista Flama a 11 de Maio de 1951. Neste artigo, o Dr. Orlando Augusto Lopes classifica as Cavilhas em quatro tipos: Temáticas ou de correcção, Brancas ou Pretas, Pedras ou Damas, Encostadas ou Flutuantes.
Este artigo viria depois a ser republicado em Dezembro de 1959 na Revista da Enciclopédia Damista com início na página 285.
·       Vencedor do Torneio de Produção do jornal O Diário no ano de 1978 (ver Problema Imortal 40)
·       Com base no Volume de Temas e Manobras da parte II do Tratado da Enciclopédia Damista, constatamos que o Dr. Orlando Augusto Lopes encabeça a lista dos Autores em Portugual que primeiro compuseram trabalhos em determinado Tema/Manobra. O Dr. Orlando Augusto Lopes foi o primeiro Autor Português a compor Trabalhos em pelo menos 14 dos 161 Temas / Manobras recenseados no Tratado da Enciclopédia Damista.
Seguem-se o Dr. Jorge Gomes Fernandes com 9 e Henrique da Cunha com 6.
·       Usou os pseudónimos «Lusíada» e «Branco e Negro» em diferentes publicações

Se um Currículo Damista assim, impressiona pela diversidade e pelo facto de ser o único Damista que, até hoje, foi Campeão Nacional em Jogo Prático e em Composição Artística, ele não explicita totalmente a áurea de ícone Damista que o Dr. Orlando Augusto Lopes granjeou em Portugal.
Se um epíteto tivéssemos que escolher, diríamos que o Dr. Orlando Augusto Lopes é o Homem que considerava o Jogo das Damas como uma “forma de regressar a jovem quando o tempo corre”.
Mas um epíteto é apenas uma expressão que se associa a um nome para qualificá-lo, e nós queremos meter em evidência a áurea de ícone do Dr. Orlando Lopes.
Para tal, vamos basear-nos em dois tipos de relatos:
1)  O que o próprio Dr. Orlando Lopes escreveu sobre si próprio
2)  O que dele e da sua obra opinaram, diversos Damistas que se manifestaram ao longo do tempo.
É certo que são apenas opiniões e maioritariamente são fruto da amizade ou simplesmente, trata-se de elogios cordiais entre Damistas que se respeitam mutuamente. No entanto, elas fazem transparecer nuances da personalidade e causalidades subjetivas que não se conseguem expressar num simples parágrafo extra do Currículo.

Na entrevista que o Dr. Orlando Augusto Lopes concedeu a Ruaz Ramos e que faz parte do “Retrato de Família - 4”, transcrevemos a resposta que deu à pergunta de como foi que as Damas entraram na sua vida?

No barbeiro! Exactamente. Numa barbearia da Chamusca, minha terra natal. Tinha cerca de 12 anos. Quem me ensinou os primeiros passos foi o conterrâneo António dos Santos Ai. Mas o meu mentor viria a ser o grande mestre Francisco Henriques. Como certamente sabe trata-se de um inconfundível damista de Almeirim, que tive o privilégio de conhecer e que me lançou na descoberta do Problema. Trocámos, ao longo dos anos, dezenas e dezenas de cartas. Devo-lhe muito do que sei, damisticamente falando.”

Numa entrevista feita para a Revista Matuto a 17-4-1955 mas que acabou publicada no Nº15 da Revista da Enciclopédia Damista em Maio de 1958, António Eduardo Igrejas respondeu da seguinte forma à pergunta sobre quais os Damistas que mais contribuíram para o desenvolvimento do Jogo das Damas em Portugal:

“[…] o Dr. Orlando Augusto Lopes […] elevou o jogo das Damas ao mais alto nível cultural, quer prático quer artístico. Independentemente da particular amizade que nos liga, é de inteira justiça considerá-lo o mais completo Damista de todos os tempos. Revolucionou a técnica damista em todas as facetas: criou o problema simétrico (embora esta afirmação cause engulhos à vaidade de certos pretensiosos), criou o problema variável, criou uma nomenclatura própria quer para o problemismo quer para o jogo prático; criou vários estudos de conceito artístico, tais como a “técnica da composição do problema”, “a técnica das cavilhas”, a definição dos temas dos problemas, etc. É autor de maravilhosos finais práticos e artísticos e é ainda o autor de mais de 70% dos temas originais portugueses. Como isto não bastasse, enveredou o Dr. Orlando Augusto Lopes, no jogo prático e, em pouco tempo, guindou-se à categoria máxima e é hoje considerado, sem favor, o maior e mais completo jogador de todos os tempos. Foi orientador de inúmeras secções de damas, consideradas as melhores, e preside actualmente aos destinos desta (Enciclopédia Damista) que promete ultrapassar tudo o que se tem feito em Damas. Possui a maior colecção dos problemas portugueses e a maior colecção de tratados estrangeiros. Reuniu, criou, desenvolveu e aperfeiçoou elementos preciosíssimos para fazer um livro a que, com todas as honras, se poderá chamar um verdadeiro tratado do jogo das Damas.”

A Revista da Enciclopédia Damista Nº160 de 20 de Maio de 1972, pág. 1093, abre com o título “No momento da despedida do Dr. O.A.L. – A MINHA HOMENAGEM” da autoria do Dr. Sena Carneiro, em que se anuncia o fim da participação do Dr. Orlando Lopes, na Direcção Técnica da Enciclopédia Damista. A partir do Nº161 da Revista, os Directores Técnicos passam a ser apenas Francisco Henriques e o Dr. Sena Carneiro.

Ser génio não se encomenda. NASCE-SE. Ou se é ou nunca se consegue ser. Orlando Lopes é génio. Nasceu assim. Não foi necessário esforçar-se. Talvez nem tivesse consciência disso.
Como génio que é sente-se no direito de ser desordenado, de nada ligar ou pouco ligar para o que nele é natural e nos outros nem com muito esforço se consegue. Tem abusado desse direito e aberto caminho aos que não relutam usar o que não lhes pertence. Isso dói. Isso revolta. Isso desfaz os nervos e leva a abandonar.
Em face dessa situação dois caminhos ficam patentes: ou discutir e reivindicar ou afastar-se sobranceiro. Mas o génio não discute porque sabe que ninguém pode imitar a sua marca. Despreza e afasta-se. Temos de reconhecer esse direito a quem, em todo o Mundo, foi o MAIOR e mais notável problemista. Para o ser CRIOU temas, CRIOU ou adaptou toda uma terminologia inteira dedicada à técnica do problemismo. Está dispersa. Está desorganizada. Mas é SUA. Legitimamente sua, produto do génio que é seu.
Para que não possam suscitar-se dúvidas e nunca mais alguém possa ignorar a paternalidade da sua obra, propomo-nos organizar e publicar esse admirável trabalho que dispersou por muitos anos e pelas mais diferentes secções.
Esta é a HOMENGEM do amigo ao génio do ORLANDO LOPES que se afasta definitivamente, cansado de ser O MAIOR.” – Sena Carneiro

Na Revista da Enciclopédia Damista Nº177 de 30 de Abril de 1973, pág. 1244, Júlio Reis Fevereiro criou polémica no mundo Damista Português quando dedicou 6 Problemas “Ao maior: Jorge Gomes Fernandes”.
António Eduardo Igrejas, contesta de imediato esta afirmação na pág. 1265 e é acompanhado pela concordância do Dr. Sena Carneiro.
Na Revista da Enciclopédia Damista Nº185 de 10 de Outubro de 1973, pág. 1306, António Eduardo Igrejas justifica da seguinte forma, a sua discordância com a “coroação” proposta por Júlio Reis Fevereiro:

“[…] Em termos de criação temática o Jorge fica muito aquém do Dr. Orlando Augusto Lopes.
Isto não é tudo:
Ao Dr. O.A.L. entre outras, estamos devendo os seguintes feitos:
- Reestruturação evolutiva do Problema clássico
- Criador do Problema variável em Portugal e o seu melhor e mais consciente artífice
- Criador do Problema simétrico
- O compositor com menor índice de trabalhos demolidos
Nesta maratona de “O Maior”, só nisto já o Dr. Orlando Lopes fica muito distanciado do Jorge e ainda não é tudo.
Temos que nos curvar a esta tão grande, gigantesca, imensa realidade que se chama NOMENCLATURA.
Embora muita terminologia tenha sido adaptada do Xadrez, facto [que o Dr. O.A.L.] nunca escondeu, a maior parte é sua criação, pura, incontestável, insofismável.
Se pararmos, um pouquinho só, para pensar que a terminologia é a mola mestra propulsora de toda a evolução do Problema, sentiremos vergonha de ter tido a ousadia de pensar noutro nome que não seja Orlando Augusto Lopes.
Se não existisse nomenclatura não teríamos a didáctica, e, sem esta, não haveria aprendizado.
Foi através dessa nomenclatura que todos aprendemos a distinguir o que há de maravilhoso num problema de damas. Quem saberia notar que o Jorge é um brilhante compositor sem o auxílio da nomenclatura?”

Na Revista da Enciclopédia Damista Nº186 de 30 de Outubro de 1973, pág. 1313, o Dr. Orlando Lopes intervém na polémica e, após “absolver” Júlio Reis Fevereiro, deixa as seguintes considerações aos Leitores:

“[…] Neste monólogo, à volta desta «mesa entre amigos», o meu papel é o mais ingrato – tenho de ser julgador e julgado. Mas tenho conseguido, por um esforço de uma vida inteira, a possibilidade de me desdobrar em várias personalidades. O meu lado artístico e a minha obra surgem como de outra pessoa quando eu julgo com a minha personalidade de crítico.
Tenho de considerar o que é a Ideia e o que é a Forma… e a ponte que as une. E o trabalho de construir e de não achar bem. Demolir e voltar a colocar peça por peça, corrigir aqui e além, combater a insatisfação – até surgir a Obra.
Penosamente tenho também de lembrar o que é, para os outros, pegar em trabalho já feito e cobri-lo com outra tinta ou poli-lo um pouco para parecer diferente.
Neste momento julgo que as composições que aparecem em meu nome, no de «Lusíada», no de «Branco e Negro» e de O.A.L., todas um conjunto do mesmo autor, construíram um edifício de Arte que se sobrepõe ao edifício de Jorge Gomes Fernandes.
Classificar de «o maior» subentende uma comparação, exige um critério, implica um imenso estudo.
Há «termos» que são de uma enorme responsabilidade.
Uma pergunta para acabar: - «A Jorge Gomes Fernandes, o maior», não será também ofensivo?
… E agora pode servir-se o café.”

Na ocasião do nonagésimo aniversário do Dr. Orlando Augusto Lopes, Ruaz Ramos publicou o seguinte texto no Blog Pé de Galo (ver texto completo em Blog "Pé de Galo")

“[…] É verdade que o passado nos legou uma mão cheia de jogadores inesquecíveis. E não é menos verdade que no presente existe uma geração que, nalguns casos e aspetos, se poderá ombrear com o mestre.
Mas o Dr. Orlando Augusto Lopes, cujos trabalhos se identificam por “OAL” continua a ser, na opinião de muitos “o mais completo damista de sempre”.
O currículo deste nosso “confrade” – assim, antigamente, se tratavam entre si os elementos da família damista - não se identifica apenas pelo rigor técnico e análise aguçada dos seus jogos, nem pela inexcedível finura artística dos seus problemas, nem pelo estudo e adaptação das diversas obras estrangeiras que consultou, nem pelos inúmeros títulos que conta no seu palmarés, nem ainda pelos cargos que ocupou como seccionista, júri, e dirigente com destaque para o cargo de Presidente da inicial Direção da Federação Portuguesa de Damas.
Não. Não é apenas por tudo isto que o nosso aniversariante é considerado um dos ícones damistas contemporâneo. Orlando Augusto Lopes destaca-se não só pelo que já fez pelas Damas Portuguesas mas pela forma como o tem feito.
O que realmente mais o destaca, é a sua simpatia e serenidade; a sua capacidade empática, a sua facilidade de diálogo, salpicado quase sempre por uma história a propósito, uma graça fina, a sua disponibilidade para competir com jogadores de qualquer nível técnico, social e etário... e a sua apetência para conciliar. Numa palavra, a sua humildade! ” – Ruaz Ramos

A propósito das secções de Damas que o Dr. Orlando Augusto Lopes orientou, o Dr. Sena Carneiro em coautoria com o Eng. Duarte Silva, no Volume da Bibliografia de Damas Clássicas (19º Volume do Tratado da Enciclopédia Damista, XII-24) escrevem:

“[…] O Dr. Orlando Lopes foi o iniciador em Portugal dos Jogos devidamente comentados, criador da nomenclatura para todas as Aberturas de Jogo Prático, criador da Nomenclatura da Composição Artística, etc. Logo, qualquer Secção de Damas dirigida pelo Dr. Orlando Lopes tem maior valor damístico(!!!) pelo valor e interesse prático dos seus comentários e pela diversidade dos assuntos tratados.”

No artigo “Sobre Bloqueios” publicado em diferente Revistas da Enciclopédia Damista, o Dr. Jorge Gomes Fernandes quando aborda os Bloqueios a que chamou Bloqueios Confinantes do Tipo I, escreveu o seguinte parecer na página 2355 no 6º Volume da Revistas da Enciclopédia Damista:

“O.A.L. foi quem mais explanou esta ideia.
Tendo construído algumas joias que são hoje marcos da beleza escaquistica, verdadeiras obras de antologia que deleitam os seus conhecedores”

E terminamos com um parágrafo escrito pelo Dr. Orlando Augusto Lopes na celebração das 1000 páginas do Tratado da Enciclopédia Damista que teve honras de primeira página na Revista da Enciclopédia Damista Nº140, em Março de 1971. Demonstra bem o desapego do seu caracter e sua elevação de espírito:

“[…] A mim pouco se me dá que uma Nomenclatura que retirei do Nada hoje seja apossada por outros e seja até deformada sem critério, sem respeito.
E pouco se me dá, porque aquilo que faço o faço para meu prazer espiritual.
O Jogo das Damas é, para mim, aquilo que é para outros coleccionar selos, ouvir musica, ir ao teatro, fazer versos… é um modo de preencher o espírito quando o corpo cansa, e uma forma de regressar a jovem quando o tempo corre.”


PROBLEMA IMORTAL 31

Conforme se pode ler na Historia do Problema em Portugal, no Tratado da Enciclopédia Damista II-50, o Dr. Orlando Augusto Lopes compôs este trabalho a 31-3-1939 inspirando-se numa característica que observou em certos problemas de Xadrez: as Negras, para se defenderem da ameaça de Xeque-mate, tentam varias respostas, às quais as Brancas contrapõem com “Mates” diferentes.
Ora, sabendo que a sua data de nascimento foi em 14-11-1923, isto significa que o Dr. Orlando Augusto Lopes, compôs este Variável com a bonita idade de 15 anos.
Com pouco mais de 3 anos de aprendizagem, pois iniciou-se no Jogo das Damas com cerca de 12 anos de idade, já era capaz de compor trabalhos que abriam novos horizontes à composição artística no Jogo das Damas Clássicas!
Como acontece frequentemente em muitos ramos da arte, os génios vanguardistas nem sempre são compreendidos de imediato pelos seus contemporâneos. Tal aconteceu também com este trabalho (conforme relato do próprio autor na publicação acima citada), que só seria publicado a 12-10-1944 no Jornal La Província de Las Palmas (Canárias) dado que, em Portugal, não foi aceite para publicação na Revista Século Ilustrado cujo orientador, Américo Simas, o achou com pouco interesse pois os solucionistas estavam habituados ao Problema Clássico, rígido…

Jogam as Brancas e Ganham


Solução: 23-32 e Bifurcação:

ð 18x27, *32-23 ataque flutuante ao abrigo da Lei da Quantidade, 29x15 (Lei da Quantidade) para circuito por 23x30x17x6x24 GB
ð 10x23 ou 28, *32x10, 18x27, 10-17, 29x22, 17x30x23 GB

A genialidade na Composição Artística a manifestar-se já na adolescência!


PROBLEMA IMORTAL 32

Foi depois republicado:
·       na Revista Estratégia Damista em Outubro de 1945
·       no Tratado da Enciclopédia Damista III-286 como Final Prático N°418
·       no Tratado da Enciclopédia Damista II-54 na Historia do Problema em Portugal
·       no Tratado da Enciclopédia Damista II-913 como exemplo do Tema Nº131 Prisão.
A Prisão Final presente neste Problema é atribuída historicamente a :
Ä Dufresne (Ano 1884)
Ä Flaquer (Ano 1909)
Ä e em Portugal é de José Maria Silva (Arcos de Valdevez) publicado na Revista "Domingo Ilustrado" Nº83 em 1926.
·       foi também republicado no Artigo O fascínio da Busca de Eduardo Valente, publicado na comemoração do 44° Aniversario da Revista da Enciclopédia Damista em Abril de 1999 (Pág. 3983).

Jogam as Brancas e Ganham


Solução:  28-31 primeiro Ataque Directo ao PN, 27-23 (se 27-22, *12x29, 25-14, 4-7, 14x4, 29-25 GB), 31-28 segundo Ataque Directo ao PN, 23-20 (se 23-19, *12x29 GB), 28-24 terceiro Ataque Directo ao PN, 20-16 (se 20-15, *12x29 GB), 4-7, 25x4, 24-6, 16-7, 6-3 Prisão e GB

Como acabamos de ver, para além do Tema Prisão, este trabalho possui também o Tema Nº14 Ataque Directo (mínimo 3 ataques).

No Artigo O fascínio da Busca, Parte 1, onde comentei alguns trabalhos que me arrebataram a sensibilidade artística, comparei este trabalho à alegria rebelde da juventude: simplesmente inesquecível !!!


PROBLEMA IMORTAL 33

Publicado originalmente na Revista Século Ilustrado 5-4-1947.
Foi também republicado na Historia do Problema em Portugal no Tratado da Enciclopédia Damista II-82.

Jogam as Brancas e Ganham


Solução:  14-10 e se:

ð 6-3, *10-23, 15x6, 23x16 e Cossacos Inversos GB
ð 20-16, *10x3 (se 11x20 empata por 7-3, 10-17, 3-7 seguido de 16-12 EMP), 15x6, 2x11 ou 3x GB


Esta miniatura simétrica é, para nós, a expressão mais elegante do Tema Cossacos Inversos obtido em lances livres! Magnifico!


PROBLEMA IMORTAL 34

Publicado originalmente com o pseudónimo «Branco e Negro» na Revista Século Ilustrado em 07.06.1947 e republicado no Tratado da Enciclopédia Damista II-82 e II-1000 onde é considerado como o 1º Trabalho no Tema em Nº154 "V" BICOLOR

Jogam as Brancas e Ganham

Solução: 14-18 e bifurcação:

ð 21x14, 6-11 e nova bifurcação em que surge uma captura em opção que forma um “V” NEGRO invertido (a):
§  14x7, *3x16x30x21 GB
§  15x6, *3x17x30x20, 22x15, 20x11x25 GB

ð 22x13, *19-22! e nova bifurcação agora com “V” BICOLOR:
§  27x18 captura direita do “V” Negro invertido, *6-10 e temos o ramo direito do Tema “V” Branco, 13x6, 3x13x22x29, 15-11, *29-25 GB
§  26x19 captura esquerda do “V” Negro invertido, *6-11 e temos o ramo esquerdo do Tema “V” Branco, 15x6, 3x17x30x23x1 ou 3x10x23x30x17x10 GB

a)    Manuel Melo alerta-nos que aqui, há na realidade uma captura Negra em “X”.
Chamar a uma captura em “X” apenas “V” invertido aceita-se mas não é totalmente correcto pois na realidade um “X” é formado um “Λ” (Lambda do alfabeto Grego, que corresponde ao nosso “V” invertido) encimado por um “V” normal.

Decorria o ano de 1947, pouco tempo após o final da 2ª Guerra Mundial, quando este trabalho viu luz na Revista Século Ilustrado. Já passaram 70 Anos desde a sua publicação!
À parte o seu valor histórico que o torna antológico, fica a sua beleza artística que o converte, para nós, em Imortal!


PROBLEMA IMORTAL 35

Publicado originalmente na Revista Século Ilustrado em 19.07.1947 e republicado na Revista da Enciclopédia Damista página 105 em Março de 1958 e também no Tratado da Enciclopédia Damista II-772 como exemplo do Tema N°84 Cossacos Cativos.

 
Jogam as Brancas e Ganham

Solução: 22-27 e se:

ð 12-8 linha atemática pois a Dama Branca promove-se em 30 ou 31 e GB
ð 12-7, 4x11, 17-13, 27-31, 13-10, 31-28, 10-6, 28-1 etc GB
ð 17-13 a linha temática, 27-31, 13-10, *31-9 e se:
§  12-7, 4x11, 10-6, 11-14 (se 9-5, 6-2 EMP), 6-2, 14-19, 2-15, 9-22, 15-2, 19-23 etc GB
§  10-6, *4-7, 12x3, 9-2 e Cossacos Cativos GB


Fazendo eco das palavras do Mestre, eis um suave deslizar até aos Cossacos Cativos!


PROBLEMA IMORTAL 36

Publicado originalmente na Revista Século Ilustrado com o N°485 em 21.8.1947.
Foi também republicado no Tratado da Enciclopédia Damista II-83 e 700 e 841 como exemplo do Tema Nº57 Bloqueio no RIO e do Tema Nº110 Finta por transferência.
De realçar a posição inicial em monograma do numero 1 formado na linha do Rio.

Jogam as Brancas e Ganham

Solução: 10-1, 19x10, 1x19, 24-20, 19-8 (ou elasticidade por 19-12), 28x19, *16x23! Finta por Transferência e se:

ð 19-14, 8 ou 12-29, 32x19, 29x15, 14-10, 15-2GB
ð 19-15, 8 ou 12x19 e Bloqueio de DN no Rio GB


Neil Armstrong pode não ser o maior astronauta de sempre, porque simplesmente o todo sempre é muito grande, mas… antes dele não houvera Homem na Lua. Ele foi o primeiro!

Escolhemos este trabalho como Imortal pela simbologia da posição inicial em forma de “1”.
Em muitos domínios do Jogo das Damas Clássicas, o Dr. Orlando Augusto Lopes foi incontestavelmente o primeiro!


PROBLEMA IMORTAL 37

Publicado originalmente, na década de 1960, no Tratado da Enciclopédia Damista III-206 como Final 319 integrado no capitulo de D e 3P x 3P.

Jogam as Brancas e Ganham


Solução: 3-6 e Armadilha Anti-Promoção:

ð 5-1, 6-10, 1x4, 15-6, 16x7, 6-3 Prisão GB
ð 5-2, *15-24, 2x4, 24-6, 16x7, 6-3 e repete a Prisão GB
ð 8-4, 15-24, 4x2, 12-15, 2x20, 24x9 GB

Este trabalho, ao ser integrado directamente no I Volume dos Finais Práticos como Final 319, não teve, quanto a nós, o destaque que merecia.

O Dr. Orlando Lopes brindou-nos com variadíssimos exemplos de miniaturas deste tipo de finais que, como escreveu o Dr. Jorge Gomes Fernandes “são hoje marcos da beleza escaquistica, verdadeiras obras de antologia que deleitam os seus conhecedores”.
Escolhemos este exemplo pela pureza da solução e porque uma chave de arranque de Peão da Base, que prepara diferentes Armadilhas Anti-Promoção, é sempre… genial!


PROBLEMA IMORTAL 38

4 Fintas por Transferência!!!

Jogam as Brancas e Ganham


Solução: **12-26! (Chave imprevisível!), 2x29 forçado pela Lei da Quantidade, *24-15 (1ª Finta em 8 opções de captura Branca), 29x12, *4x18 (2ª Finta em 9 opções de captura Branca), 31x13, *8x26 (3ª Finta em 9 opções de captura Branca), 30x21, *9x22 (4ª Finta em 5 opções de captura Branca) e Bloqueio Critico GB

Um problema com 13 peças das quais 5 são Damas Brancas e outras 5 são Damas Negras é algo que não se enquadra na escola moderna da composição.
No entanto, o Dr. Orlando Augusto Lopes, sacrifica aqui a economia da apresentação e, nos moldes de um problema clássico, com aparência pesadérrima, faz um trabalho de antologia, vencedor de um Campeonato Nacional no Tema FINTA por Transferência!!!

Vejamos os esclarecedores comentários do Dr. Sena Carneiro a este trabalho aquando da publicação dos resultados do I Campeonato de Portugal de Composição Artística (Ano 1973):

“[…] Obra ímpar, que mesmo os génios só de longe em longe podem criar. Apresenta-nos uma chave de finta (na chave, como já dissemos, as Brancas fintam e as Pretas capturam!), 31 opções de captura Branca (será um TASK absoluto em OPÇÕES BRANCAS?), 4 fintas temáticas (todas de transferência, que deve tornar o trabalho em TASK absoluto em finta), 4 mates cruzados (TASK relativo, pois o autor tem há muito composto um trabalho com muitos mais mates cruzados), 2 cavilhas de Dama Branca (após 29x12 a DB8 funciona de cavilha; o mesmo após 31x13 em que actua como cavilha a DB9) e um desfecho em Bloqueio.
É pois um DUPLO-TASK de antologia:
Um TASK absoluto em Tema de Finta e
Um TASK relativo em Mate cruzado.
Supomos ser impossível fazer melhor.”


PROBLEMA IMORTAL 39

Trabalho vencedor do I Campeonato de Portugal de Composição Artística (Ano 1973) na categoria Tema Livre.
Republicado no Tratado da Enciclopédia Damista II-782 como exemplo do Tema Nº88 Defesa Negra Anti-Dual.

Veja-se o comentário que Dr. Sena Carneiro (Júri do I Campeonato de Portugal de Composição Artística Ano 1973 juntamente com António Eduardo Igrejas) fez a este trabalho:
É impossível fazer melhor numa miniatura de 7 peças! Merece bem as honras de vencedor e o título que outorga ao seu autor: o de Campeão de Portugal em Tema Livre.

Jogam as Brancas e Ganham


Solução: 16-3 chave calma que prepara Judia e deixa 3 variantes válidas às Negras:

ð 28-23 linha atemática, 20x27ou30, 24-20 (não pode 9-5 porque 3-6 e 27ou30-16 GB), 15x24, 9-5, 24-28, 5-2, 28-32, 2-9, 30-21 GB
ð 9-5 Judia por 3-6, 11x2, 20-16, 2x20, 16x1, 24-20, 1x32, 20-15, 32-14 GB
ð 11-7, *3x16 (se as Brancas tentam o Dual por 3x12 há defesa anti-dual por *9-5, 12-16, *28-23 única, 20x30, 5-1 EMP), 9-5, *20-30!! (se as Brancas tentam o Dual por 20x27 há defesa anti-dual por *5-1 EMP) e se:
o   28-23, **30x20!, 5-1 e agora vai desencadear-se a surpresa magistral(!) por 15-19, 24x15 Lei da Qualidade, 16-23 Bloqueio de DN no Rio e GB
o   5-1, 15-19, 1x23, *16x27 GB (se as Brancas tentam o Dual por 30x20 há defesa anti-dual por 24x15 e a DB16 já não consegue dominar os dois peões negros e EMP).
No Tratado da Enciclopédia Damista II-782, comentando este trabalho, o Dr. Sena Carneiro realça: “ Para cada tentativa Branca de Dual, as Negras têm um só lance que evita esse dual, originando o empate.
A esse lance Negro chama-se defesa Negra anti-dual.
Se se repetem várias defesas Negras para várias tentativas de duais como neste exemplo, o trabalho tem mais valor.”


PROBLEMA IMORTAL 40


Vencedor do Torneio de Produção do Jornal O Diário de 1978.
Foi também republicado na Revista da Enciclopédia Damista em Abril de 1979 (pág. 2066).

Este Torneio de Produção teve uma participação importante (45 trabalhos a concurso), e teve a particularidade da classificação ter sido obtida por votação de todos os Damistas concorrentes.
O Dr. Sena Carneiro não concordava com este tipo de classificação porque nem todos os concorrentes possuem os conhecimentos adequados para julgarem o valor das composições mas, neste caso, reconheceu que a votação correspondeu efectivamente ao melhor trabalho a concurso!
Comentou assim esta composição na Revista da Enciclopédia Damista (pág. 2066):
É um dos melhores estudos que temos visto ultimamente: quer em conteúdo artístico quer em dificuldade.”

Jogam as Brancas e Ganham

Solução: 27-18 Chave Ampliativa (a) e se:

ð 16-12 perde por Judia, 18-7, 12x3, 23-10, 3x13, 9x29 GB
ð 17-13 (a melhor), *23-1(b) e se:
o    16-12, *18-11 (Única para impedir a defesa com 26-15) e devido ao duplo ataque angular perdem sempre duas peças e GB
o   26-29, *18-4, 13-10, *1-23, 16-12 (tentando promover outra dama, senão perdem por Final Clássico), 9-2 (ameaça 23-19), 12-8, *23-16 e Bloqueio GB
o   26-15, 18-7 (evita 16-12) que permite a captura do peão 13 e GB
o   26-8, 18-4 e vai capturar o PN13, 8-29, 9x27, 16-12, 27-16, 12-8, 16-12, 29-25, 12-29 e Bloqueio GB
ð 26-8 ou 12 ou 15, 23-19, 8x13, 9x22 GB
ð 26-29, 23-1 (c) e se:
o   16-12, 9-13, 17x10, 1x8 GB
o   17-13, 18-4, 13-10, *1x23, 16-12, 9-2 (ameaça 23-19), 12-8, 23-16 GB
o   29-15 ou 12 ou 8, 1-19 e 9x22 GB
o   29-25, 18-4, *25-29, 4-25 e se:
§  29-8, 25-29, 8-4, 29-8 e GB por Final Clássico
§  16-12, 9-13, 17x10, 1x8 GB
§  17-13, 9-27, 16-12 (se 29-8, 25-29, 8-4, 27-22 GB), 27-16, 12-8, 16-12, 8-4, 12-8 GB
ð 26-30 (linha atemática), 9-2 e 2x24 GB


a)  Foi o Dr. O.A.L. quem usou pela primeira vez este termo de “chave ampliativa”, ou seja, após o lance 27-18, as Negras podem fazer todos os lances que tinham antes mais o lance 17-13 que não era possível antes.
b)  Lance único !
Se tenta 23-5, *26-15, 18-7, *16-12 (correcção negra anti-dual, ou seja, lance negro que evita o dual), 7x16, 15-2 EMP
Se tenta 18-7, *16-12, 9-29 (Qualidade), 12x3 GB
Se tenta 18-4, *13-10, 23x1, 16-12 EMP
c)  23-1 é o lance do Autor mas aqui há Duais não mencionados nem pelo Autor nem pelos concorrentes do Torneio, nem pelo Dr. Sena Carneiro na Enciclopédia Damista:

Ø Dual 18-4, 16-12 (a melhor pois se 17-13, 9x31, 16-12, 31-24 ameaça 23-19, 12-8, 23-16 GB como linha do Autor), *9-2 ameaça 23-19, 12-8 (se 17-13, 23-10 e 2x8 GB), 23-16 GB como na linha do Autor.
Ø Dual 18-7, 29-25 (se 29-12, 23-10 e 9x22 GB se 29-15 ou 26, 23-1 GB), 7-4, 25-29, 23-1, 29-8 (se 16-12 dispara a Bateria por 9-13 e 1x8 GB), 4-11 por exemplo, 8-29, 11-25, 29-8, 25-29, 8-4, 29-8, 4-25, 9-31 espera, 25-4, 31-22 e agora as Negras têm que sacrificar um dos Peões e GB por Final Clássico de 3D x D+PN.